Palavras Pingadas

Amanhecer

by Melanef on Jul.01, 2010, under 'Bout Me

Não, eu não escolhi este título para homenagear o novo filme/livro da série Crepúsculo. Escolhi porque os dias vinham sendo escuros e agora parece que estão ficando melhores, como se a alvorada estivesse se aproximando. Filosófico? Talvez.

Quem acompanha já sabe, só pelas linhas acima o que ta acontecendo. Se sabe, ótimo, se não sabe, aguarde.

A verdade é que os dias vinham sendo negros por causa da faculdade. To cansado do curso, to cansado de tudo. Sim, de tudo. E venho me segurando a um tempão para não postar um texto que não acrescente nada, e cá estou eu. Fazendo o que, mesmo? Postando um texto que, sem dúvida, não acrescentará nada na vida de vocês.

C’est la vie.

A vida está estava uma bosta. Eu tava cansado de tudo, do trabalho, da maldita vida, da onda de frio, da onda de calor, da onda de temperaturas mornas, da doença, da saúde, da faculdade, da solidão, da companhia (quando não a que eu realmente desejava). Estava cansado de tudo e de todos, e juro que mais de uma vez o chão me pareceu tentador quando olhei para baixo da sacada do sexto andar da Barão de Limeira, 425.

Não está mais? Não. Por quê?! Ah! porque agora tudo são flores. Estou à beira das minhas férias do trabalho. Merecidas. Ansiadas. Conquistadas. Férias. Da faculdade, desde doze de Junho. Do trabalho, a partir de cinco de Julho. Porque se tudo der certo, terei me firmado como quem sou mesmo temendo não ser mais eu mesmo. Porque se tudo der certo, terei tudo o que sempre quis e que apareceu quando eu menos esperava. Quem diria?!

Agora eu quero mais é viver até ficar velho. E quero ter sucesso e quero me dar bem. Por quê?! Porque agora tenho o que sempre senti falta, porque não sei mais omitir aquele sorriso besta que percorre o meu rosto quando sinto um determinado perfume na camisa ou ouço uma determinada música. E temo que não me recuperarei nunca deste sorriso besta quando passo por aquele lugar.

Note que o meu texto não tem a menor qualidade hoje. Por quê?! Porque estou caindo em contradição e fazendo justamente o que disse para meu amigo não fazer: escrever sem propriedade. Antes eu não escrevia porque me sentia vazio. Agora me sinto “cheio” do que colocar aqui mas não sei canalizar. Então, você, leitor desavisado que já leu seis parágrafos de enrolação, pare enquanto é tempo, este texto não o levará a lugar algum a não ser à uma idéia (note que estou usando IDÉIA) que nem sequer sabemos se existe. Mas adoramos acreditar que sim.

Porque afinal, o que é o amanhã se não um dia que brota depois de hoje? E se o sol não nascer, o que acontece? Bem, o sol nascer, o amanhecer, é o início de um novo dia. No meu caso, o início de uma nova página. Nem que seja porque estou prestes a ter férias e isso representa o fim de um ciclo para relaxar e me preparar para o próximo, nem que seja porque estou apaixonado, o que é sempre um ciclo na minha vida.

E se você chegou até aqui, das duas uma: ou não está prestando a atenção, ou não liga para os meus avisos. Essa idéia de conversar com o leitor é nova para mim, mas gostei, se o que preciso é divagar um pouco, divago deixando vocês (pensarem que estão a) expressar a sua opinião e compartilhá-la comigo.

Ontem um amigo meu bateu numa tecla que eu SEMPRE bato. Que não importa o que aconteça na vida, a gente continua insatisfeito com algo. SEMPRE haverá algo lá para nos incomodar. Porque nós somos orgulhosos, somos espécimes orgulhosos de, como diz Douglas Adams, termos descido das árvores. Sou sim, e daí?! Já disse: sou filho único, (razoavelmente) bem sucedido, por que não me orgulhar?!

Mas o que ia dizendo?! Ah sim! Ia dizendo que nunca estamos satisfeitos. Porque somos orgulhosos e ambiciosos. Sim, já disse, a ambição é a máquina do progresso. E eu com isso?! Ah! Eu com isso que meu amigo me disse isso, essa obscenidade descarada da sociedade justamente no dia que, pasmem, EU, me sentia (sinto ainda :$) absolutamente pleno e realizado e feliz. Por quê?!

Porque o mundo gira, gira, gira, e a gente vive a nossa vida de merda, mas mesmo assim mantém viva aquela porcaria de esperança (porra, Pandora!), e o grande problema é quando a gente percebe que na verdade, é bom estar vivo, já que a esperança concretizou-se.Sim, disse antes: agora sinto vontade de viver até ficar velho, popular este mundo ingrato de herdeiros da minha vã filosofia, de criancinhas carregando meus genes. Porque eu quero sobreviver para continuar degustando. Quero me manter vivo, nem que seja através de outros, para aprecisar tudo aquilo que negligenciei enquanto estava ocupado buscando algo dentro de mim mesmo. Agora achei e quero degustar. Garçom, me vê mais um pedaço dessa de … … … que sabor é esse aí na bandeija mesmo? Não interessa, traz!

E é isso, chega, já foram, segundo as contas do WordPress, 852 palávras, e sabe-se lá quantas ainda estão pela frente até eu finalmente apertar a tecla do Ponto Final e clicar em “Publish”. Tenham todos uma boa vida, sejam felizes, reproduzam-se. Enfim, vivam! Desligue esse computador e vá ao parque. Ou não, leia mais textos e renda-me mais cliques (como se eu ganhasse alguma coisa).

E é fim.

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  • 1 July, 2010 @ 22:11 por Melanef
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Narcisismo

by Melanef on Apr.26, 2010, under 'Bout Me

Nunca ví o movimento aqui tão intenso. E ficou intenso desse jeito por causa do formspring. Ao que parece, os queridos anônimos que me perguntam lá vêm aqui de vez em quando para ler o que escrevo sem ninguém perguntar.

O formpsring, ah, o formspring! Há pouco mais de um mês aderi ao tal do formspring. Interessante. Pessoas te perguntam. Você responde se quiser. Responde o que quiser. Enfim, uma forma interessante de conhecer pessoas e se conhecer. Admito. Admito que fiquei viciado nisso. Sim, é verdade! A primeira coisa que faço quando chego a algum lugar com acesso à internet é checar se há perguntas pendentes de serem respondidas. Acho que isso porque acabei me encantando com as pessoas anônimas.

Pessoas anônimas que entram na sua vida por uma porta extremamente alternativa. Pessoas anônimas que te despertam uma curiosidade imensa! Pessoas anônimas que podem alegrar o seu dia só por fazer uma pergunta. Porque quando alguém me faz uma pergunta, eu me permito imaginar que tem alguém que se interessa(ou) por mim. Porque afinal, se não se interessasse não perguntava, certo?! Eu penso dessa forma, e é esse o magnetismo que os anônimos exercem sobre mim.

Acontece que os anônimos são pessoas. Sim, claro que são pessoas. E todas as pessoas são capazes de mudar a sua vida se fizerem isso da forma correta.Pois é. Mudaram a minha vida. Há oito dias, a essa hora, estava indo dormir encantado porque uma pessoa entrou na minha vida.

Claro que criam-se um zilhão de expectativas. Como não esperar algo?! O pior é essa idéia de “manter o anonimato”. Mas aos poucos a gente vai descobrindo, e zas. Eu ousaria dizer que o impacto inicial da coisa, quando tudo era novidade e tudo era muito mais idealização do que certeza, que eu era um destes sorridentes que tem por aí.

É, sabe?! Bem, não sei onde você vive, mas aqui temos alguns sorridentes. São pessoas que não tem motivo algum para tal, mas estão sempre com um meio-sorriso estampado na cara. Chega a dar raiva. Não, raiva não. Inveja. É a mesma coisa que a gente sente quando vê um casal feliz da vida trocando carícias. Dá inveja. Uma invejinha boa e ruim ao mesmo tempo. Mas enfim, na segunda feira eu me sentia um desses sorridentes. De forma que quando desembarquei do metrô e caminhava em direção à escada “convencional” da estação Consolação, eu poderia jurar que estava flutuando. Eu flutuava, de tão leve que me sentia, e simplesmente passava através das pessoas que acumulavam-se diante das escadas rolantes tentando obter uma boa posição na “fila”.

Claro que em algum momento há um balde de água fria que nos coloca nos nossos devidos lugares, mas isso não é ruim, de forma alguma, serve para aprendermos a nos controlar.

A grande novidade, é que nesse meio tempo, me apaixonei por uma pessoa nova, descobri coisas novas, conheci um pouco mais de mim mesmo e voltei a me apaixonar pelas pessoas velhas. Com isso não quero dizer que dei uma volta de 360 graus. Não, de forma alguma. Apenas que tive uma oportunidade de ver as coisas com uma nova perspectiva.

Essas semanas têm sido tempos confusos. Tudo muito confuso. Mais do que eu gostaria. Mais do que eu desejaria a qualquer um. Estão sendo tempos de rever pessoas que pensei ter deixado para trás. Tempos de saber de coisas sobre pessoas que pensei ter superado. E não. Não deixei para trás, não superei.

Às vezes, em momentos de lucidez extrema, noto que o meu grande mal é ainda não ter aberto mão de tudo e de todos por alguém de fato. Ou talvez isso seja um trunfo porque talvez a pessoa e a ocasião ainda não apareceram. Mas a verdade é que continuo querendo todo o mundo, enquanto não acho quem me queira aqui e agora. Não alguém que me quer lá na puta-que-pariu nem alguém que me queira daqui a cinco anos. Nem alguém que me queira mas que eu não quero. Sim, sou exigente. Quero alguém que me queira, dentre as pessoas que quero, mas que me queira aqui e agora. Por quê?!

Ah, esse é o xis da questão! Porque eu ainda não desisti de mim mesmo. Eu ainda ME quero! Eu ainda quero com toda a minha disposição e toda a minha força.

Outro dia, vislumbrei os primeiros versos de The Deepest Blues are Black, do Foo Fighters. Eu tenho essa faixa há 5 anos e só agora me deparei com tudo o que ela diz nos primeiros versos: “Shame on you/seducing every one”. Mas olha aí! Está falando de mim! Sou eu. “Que vergonha de você, seduzindo todo o mundo”. Já ouvi isso antes, já escrevi isso antes. Acho que agora entendo. E para mim, os azuis mais escuros são mesmo pretos.

Eu amo a mim mesmo. Estou apaixonado por mim. E por isso, quero me presentear. Mas poucos presentes estão disponíveis ou são bons o suficiente. Por isso sigo buscando ou tentando obter o presente ideal para dar a mim mesmo. Para conquistar a mim mesmo. Para obter a minha própria aprovação, ou chame de aceitação. Eu quero a mim mesmo. Um MIM que foi perdido há algum tempo, não sei bem quando, não sei bem porque, nem me recordo de um dia ter tido este MIM. Mas o quero, mas o amo, mas o cobiço.

Mas o terei. Custe o que custar. Porque só eu vivo a minha vida; só eu convivo com as minhas angústias, alegrias e frustrações; só eu sou vítima das minhas escolhas e só eu tenho o direito. De ser. Feliz.

Boa noite, fiquem em paz. Não me levem a mal. Continuo amando a todos os que amo. Só significa que eu me coloco SIM em primeiro lugar. Porque para mim, eu sou a única pessoa que posso chamar de meu.

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  • 26 April, 2010 @ 23:39 [Autosave] por Melanef
  • 26 April, 2010 @ 23:38 por Melanef
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Sabe como é?!

by Melanef on Apr.16, 2010, under 'Bout Me

É que … é que não adianta. Não tem como explicar. Deitado na cama, ao som de Yann Tiersen porque ele entende das coisas, acabo de satisfazer a minha necessidade serotonina através de uma barra do mais puro chocolate Kopenhagem.

Bem … eu vinha e pensei que precisava postar algo. Preciso. Quero. Anseio. Desejo. Sonho. Estou faminto. Por um post. Para saber. O que houver. Para saber. A respeito de como eu estou. Postar sobre o que mesmo? Sobre angústias. Para variar. Porque não tem tema mais batido e rebatido e debatido e discutido neste blog. Ah, a angústia.

Não sei qual era o papo, mas chegamos ao filme e citei: Amelie Poulain. E a pessoa não desperdiçou, acusando-me de crer ter um futuro como o dela. E afinal, por que não? Será que o estado de felicidade da personagem é tamanho ao final da película que não podemos sonhar com algo assim também?! Ou isso ou “Stranger than Fiction”. O que impede?! Existe alguma lei e ninguém me avisou?

Há alguns meses que estou re-lendo o Senhor dos Anéis. Acho que quase dois ou talvez mais que dois, não estou certo. Havia me esquecido de como Mordor é longe, como o Retorno do Rei é majestoso, como os seres humanos mais diversos são retratados na obra. Meio sem querer. Deus permita a Tolkien descansar em paz sem o fardo de ter julgado os “pobres” humanos.

Digo isso porque acho que finalmente me identifiquei com algum personagem. Primeiro, quando o Rei Theoden morre. Não aguentei. Lia na aula. E as lágrimas rolaram face abaixo. Porque a cena é triste demais. Porque logo atrás vem Éowyn. Porque Éowyn é a donzela de Rohan que sempre serviu como pôde. Até que aparece Aragorn.

Parece besta, eu sei. “Nossa, você se deixou impressionar por essa historinha?” Veja bem. Aragorn entra na vida da personagem destruindo tudo, aniquilando qualquer coisa à qual ela atribuisse valor antes, devastando as entranhas sentimentais daquela mulher. E o que ela faz? Vitima que é dos próprios sentimentos, não lhe resta nada além de apaixonar-se. E depois que a paixão não se concretiza: o que ela faz?! Deseja a morte com todas as forças. Sorte dela que havia Faramir, o Regente, para resgatar-lhe da Sombra.

A Sombra. Ah, a Sombra. Quem não conhece a Sombra? Não vivo perto de Mordor, nem sequer na Terra-Média, mas conheço a Sombra como poucos. A Sombra. Que me invade a alma, me deixa uma chaga, uma ferida, um vazio. Sem explicação. A única explicação é a própria razão de existir. Porque vivemos por causa desta Sombra. A Sombra é a nossa carrasca e nosso alimento. É nossa dor e nosso gozo. É nosso ganha-pão e nosso vício por jogo.

Porque sim. Porque se não fosse a Sombra, que história haveria para contar?

A Sombra nada mais é do que uma paixão que veio, instalou-se, mas não tem pretensão alguma de partir. Na verdade, tem a ousadia de desafiar-nos dia após dia. Desafia-me a levantar. A sair de casa. A entrar na faculdade. E pior: encarar todas aquelas pessoas. Pessoas por quem eu corro o risco de me apaixonar num segundo. E com sorte desapaixone no segundo seguinte. Porque para um coração cansado como o meu, que já não bate nem apanha (e que Deus a tenha em bom lugar, Cássia [Eller]), a melhor coisa que pode acontecer é deixar que as pessoas que entraram, saiam tranquilamente da sua vida sem maiores atritos.

Aí que está. Deixe as pessoas entrarem e saírem. E que fechem a porta ao saírem. E que não levem nada porque o pouco que me resta aqui me é precioso. E que não destruam nada, seus encrenqueiros! E eu, como fico?! Eu sinceramente quero que vocês se fodam.

Ou talvez eu só diga isso porque quero muito é que uma de vocês, qualquer uma, pessoa candidata a mulher da minha vida, que acabou de entrar, não queira sair. Bata o pé, faça birra, declare amor, dê uma oportunidade, um olhar, um sorriso, respire, isso, assim. Pronto.

O mundo enche-se novamente de luz. Pelo menos enquanto durar. Será lindo enquanto durar. Será eterno enquanto durar. A sua luz. Que um dia vai acabar. Não tenha dúvida. Porque acaba. Ou eu me acostumo. Porque quando a luz deixar de ofuscar. Pff.

Acabou a mágica. Saia da minha vida. Devolva minha liberdade. Você não me dá espaço. Você não me respeita. Você não se respeita. Você não tem vida. Você não me deixa viver a sua vida. Você quer viver a minha vida.

E recomecemos o ciclo. Ou não. Porque também pode ser que você me ofusque para sempre. E aí … ah … adeus, Sombra!

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  • 16 April, 2010 @ 0:23 por Melanef
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Ambições

by Melanef on Mar.16, 2010, under 'Bout Me

Existem no mundo cerca de três bilhões, trezentos e vinte e seis milhões de seres humanos do gênero feminino, o que representa quarenta e nove porcento da população mundial. Nessa quantidade imensurável de pessoas, me pergunto:

Como posso achar a minha (suposta) alma gêmea (se é que tenho uma), no meio de tanta gente?

Porque partimos do princípio de que, se há algo por trás de “nascer-comer-trabalhar-reproduzir-morrer”, posso supor que haja lá fora uma alma destinada a compartilhar meia dúzia de momentos bons e ruins comigo, certo? Bem, finge que sim.

Assim sendo, como pode ser possível que eu encontre uma pessoa com essa capacidade (de me aturar a ponto de sobreviver alguns instantes ao meu lado) num montante que equivale à duas Chinas e meia? Quero dizer, qual é o parâmetro?! Devo supor que haja vida inteligente comandando a minha vida de forma a ter planejado tudo assim? Ou será que eu devo partir do princípio caótico de se simplesmente habitarmos o mesmo planeta, ser motivo de glórias?

Quer dizer, como posso me apaixonar ou não por alguém? Quem será que é a pessoa que procuro? Será que é a bonitinha que estava no ônibus agora a pouco? Talvez aquela que desceu pouco depois de eu ter subido? Ou ainda aquela que estava perto da porta, em quem esbarrei ao descer?

E se não, e se for uma das beldades da faculdade? Seria aquela que cursa psicologia? Ou talvez física? Engenharia? Arquitetura? Direito, Odonto, Farmácia, Sistemas? Vai ver, não é nenhuma delas. Pode ser que seja uma das que trabalham comigo. Claro, por que não? Há algumas que são verdadeiras princesas.

Talvez seja essa que mora perto de casa. Ou pode ser também alguma que esteja a doze fuso-horários de distância em algum país de cultura diferente. Quem sabe aquela por quem eu tudo faria mas que durou apenas vinte segundos na minha vida, enquanto eu a vi no semáforo?

Será que é uma das por quem me apaixonei antes? E se for, será que minhas chances se foram? Será que um dia ela irá acordar e saber que me ama ou será que pisei na bola e estraguei tudo para todo o sempre? Mas e se for uma das com quem vivi algo? Será que passou e nunca mais volta?

Talvez seja uma loira estonteante, ou talvez uma ruiva charmosa. Uma oriental inteligente ou ainda uma morena engraçada. Quem sabe ela goste de dançar, ou de ser fotografada. Ou de só ficar com os amigos e dar uma boa risada.

Enfim, qual é o critério para encontrar aquela que talvez possa me fazer feliz e eu nunca mais irei reclamar? Quer dizer, será que devo me declarar para a mulher mais bonita do ônibus na próxima vez? Ou será que devo desenvolver uma relação com aquela que me chama a atenção durante as aulas? Eu poderia tentar conquistar a simpatia daquela que divide o trabalho comigo. Ou talvez sair correndo agora ir tocar na casa da irmã de um amigo. Quem sabe largar tudo e pegar um avião para buscar aquela que faz bater meu coração. Ou ainda ir a uma festa procurar por uma desconhecida.

Será que devo procurar ou fingir ignorar? Ignorar que isso está a me incomodar?! Será que se eu procurar, vou impedir que me procurem? Se encontrar, ou achar que encontrei, impedirei-me de ser encontrado? Talvez eu devesse expor que estou disponível e sinto-me solitário para ver se alguém se interessa e se mostra solidário. De repente alguma possível musa resolve me eleger seu amado.

No final das contas, fica a conclusão de que estar solteiro é doloroso porque acabo me apaixonando por todo o mundo, e estar com alguém é doloroso por tenho que evitar me apaixonar por todo o mundo. Afinal, para apaixonar-se, basta que alguém cruze o seu caminho assim como para morrer, basta estar vivo.

Corro o risco de apaixonar-me a qualquer instante, e o risco ainda pior é de que essa paixão se estanque antes mesmo de sangrar. Corro o risco de me apaixonar enquanto estiver sozinho bem como enquanto estiver num relacionamento. Posso desejar viver um casinho pela dúvida. A dúvida a respeito do que cada pessoa pode me oferecer. Mal-e-mal sei o que posso oferecer, como saber o que tenho a ganhar? Raramente temos algo a ganhar, mas às vezes, queremos saber simplesmente para sanar a curiosidade.

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  • 16 March, 2010 @ 0:14 por Melanef
  • 16 March, 2010 @ 0:10 por Melanef
  • 16 March, 2010 @ 0:09 por Melanef
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Auto-Descrição

by Melanef on Mar.11, 2010, under 'Bout Me

Quanto mais você vive, mais você nota que não sabe viver e que a vida que leva é cada vez menos digna de se viver.

Quero dizer, essa vida é uma bosta! Prova que não! … tá, talvez a vida não seja uma bosta. O bosta da história sou eu. Por que sou eu? Porque, não está na cara?, bem, eu explico.

Eu quero tudo e todos, quero mais e quero menos e também quero nada nem ninguém. Eu quero possuir tudo e quero estar com todos (que eu quiser quando eu quiser), quero mais recursos e nenhum trabalho, quero culpa por nada e nem responsabilidade por ninguém. Eu quero a mulher que desejar, e a riqueza que cobiçar, e quero o conforto que (acho) merecer, a longevidade que precisar. Eu quero o saber e a saúde. Quero a inteligência e a sabedoria, quero o prazer e a glória.

E então, talvez, depois que possuir tudo isso e mais um pouco eu conheça a tal felicidade, né? Ou não.

A minha ambição me levará ao topo, mas nção me permitirá parar nunca. Quando se está no topo só há um caminho possível e advinhe, qual é?

Muito prazer, eu sou o Ser Humano, estou perto de você. Na verdade, sou você, acredite ou não.

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  • 11 March, 2010 @ 19:51 [Autosave] por Melanef
  • 11 March, 2010 @ 19:50 por Melanef
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Mission Report

by Melanef on Feb.08, 2010, under 'Bout Me

Everybody is alone. It doesn’t matter if people have partners, if they’re engaged, if they have a boyfriend or a girlfriend, if they’re married or what. In a moment, everyone is alone. Even if it’s before sleeping, lying down on the bed, even if it’s on the workplace, even if it’s on a casual sex.

I spent one month talking to random people on  Omegle, Chatroulette and Aardvark.  Here’s the statistic charts to Chatroulette:
* 90% are men;
* from them, 60% are masturbating in front of the camera;
* from the 10% left, 8% are “shemale”;
* from the 2% left, 1,5% are women who just will accept to talk to other women ’cause men are trolls;
* from the 0,5% left, 0,2% are ugly;
* from the 0,3% left, 0,2% are engaged in a way;
* the last 0,1% slice lives so far that it’s better you not even dream about it.

Omegle doesn’t support webcam, that’s why it’s statistics look better:
* 65% are men;
* 15% are “shemale”;
* 18% are women;
* 2% are random people talking bizarre stuff.

I’d say that in 30 days talking to random people, I achieved an amount of 12 nice people. All of them between 14 and 22 years old. They are:
* A nice guy from Netherlands, he’s a good friend ;
* Three south korean girls ;
* A chinese girl ;
* Two english girls ;
* Four american girls ;
* A brazilian girl (from my state).

From these people, three of them are committed. Or they were before meeting me.

One of them broke up one day after our conversation. On the other day she already told me she loved me. Internet is really fast! Amazing.

Another one had a boyfriend when I met her. Unfortunately, she was really confuse. She was keeping a long distance relationship with a younger boy, who she was not attracted by; And there was a cool and attractive guy from her neighborhood. I didn’t help at all, I told her what we use to say in this situation: that she needed to think about it wisely, to be honest with herself, and to do whatever she wanted, if and only IF she really wanted it. Well, now she’s not on a long distance relationship anymore.

The last one, oh, I’m proud of her, she keep loyal to her boyfriend. They’re a cute chinese couple. She’s all resptective, she yelled at me when I called her “dear” or “baby”, what would be pretty common on less conservative countries. I like it, now we treat each other like brothers. I always wanted a younger sister on the other side of the globe.

I met an american who had the same dilemmas I do, another one who thinks exactly like me. I knew a girl who shared her taste in music with me. I knew innocent people and libertine ones. But what really impressed me is that everyone was there for the same reasons, but all of us use to say the same lies (except for some exceptions).

I even created a script about how to introduce me avoiding the banalities that these people are used to treat other people nowadays. Usually, people log on these chat rooms and they hurry to ask “asl” (age/sex/location) to know everything as fast as possible. Why, Lord?! Why people don’t take the opportunity to enjoy the conversation calmly? I’d rather to do this way:

“Hi” — “How are you?” — “What’s your name”

No one EVER spects you to ask this type of common questions. The good part of it is that you already put away those people who are just looking for virtual sex. And it’s possible to know the person’s gender just by the name, instead of asking that coarse question “boy or girl?”.

After that, instead of hurrying to “Where are you from?” or “How old are you?”, it’s time to surprise them again: “What do you like to do? What’s your interests?!”. This turns possible to people look at you with other eyes. They won’t treat you as a byte flow through optic cables no longer. People can feel you a little bit more sensible. Sometimes, people even start to keep some consideration about you, almost like you’re another person too.

After that, you can talk whatever you’d like to. The dutch boy impressed me with an amazing will to help people I’d never seen before. One of the american girls gave me a knock-out when she asked me to tell her a true story I was living in this moment. I returned it tit for that and I answered as honest as ever. I don’t regret.

Even then, almost all of them tell the same lies. “What brings you here?” has almost the same answer: “I don’t have anything to do”. So, why they don’t go watch some TV? Why they don’t go play some game or go out with friends? Or even sleep, or make something productive? I answer it fast: “I’m here ’cause I feel alone, I’m trying to fill my emptiness”. And almost all of them show the same signals that they’re this way too.

Why talk to people who you’d never seen (and never will see)? I swear I don’t understand it. Actually, I do. I look for a way to busy myself. But what about other people? The same. These people want the same I do. They want to raise, at least a little bit, their self-esteam, caress our ego. They all want someone to see them on the camera and say they’re pretty. That you’re smart, or you have a nice job, or even that the country where you live is cool.

People want to feel loved ’cause they lost their hability to love. Or maybe they do ’cause they overflow this hability. But they all look for it on a sensible relationship, an easy breakable relationship. Well, if you don’t like something in someone, you just need to press “Block” on MSN or AIM or Facebook. It’s pretty easy to leave someone you’d never seen. ‘Cause we just don’t want to feel alone until Rapunzel throws her golden bunches through the window or the Enchanted Prince arrives on his white horse.

People behavior is so common that everybody pass through the same steps: When we regret the distance. When people say it’d be fun to meet. When people say we’d be welcome as guests at their homes. When people say they miss us. When they ask us to go there. As it was as easy as going to the corner of the street.

Actually, I can’t say I’m sure everybody feels this way. I suspect that those people I identify as my similar feels this way too. But everybody, now I’m sure of it, all of us are affraid of losing (even more) in this life.

I’d like people to know that all of you are really my friends, or I treat you as you were. I don’t judge you from these opinions, I just noticed that all of us are, in a certain way, victims of the same emotional disease.

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  • 8 February, 2010 @ 20:25 [Autosave] por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:24 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:21 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:19 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:19 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:17 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:16 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:15 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:03 por Melanef
  • 8 February, 2010 @ 20:02 por Melanef
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Relatório da Missão

by Melanef on Feb.07, 2010, under 'Bout Me

Todos estão sós. Não importa se as pessoas têm parceiros, se estão noivos, namorando, casados ou o que. Em algum momento, todos estão sós. Nem que seja antes de dormir, deitado na cama, nem que seja no ambiente de trabalho, nem que seja durante uma transa casual.

Passei um mês visitando Omegle, Chatroulette e Aardvark.  Do Chatroulette, seguem as estatísticas:

  • 90% são homens;
  • dos quais 60% estão se masturbando diante da câmera;
  • dos 10% restantes, 8% são “shemale”;
  • dos 2% restantes, 1,5% são mulheres que só aceitam conversar com outras mulheres por que os homens são trolls;
  • dos 0,5% restantes, 0,2% são feias;
  • dos 0,3% restantes, 0,2% são comprometidas de alguma forma;
  • a última fatia de 0,1% mora tão longe que é melhor nem sonhar.

No Omegle, pelo não-suporte a webcam, aparentemente as estatísticas são melhores:

  • 65% são homens;
  • 15% são “shemale”;
  • 18% são mulheres;
  • 2% são pessoas falando coisas bizarras.

Diria que em um mês conversando com pessoas assim, aleatoriamente, nas minhas horas vagas, consegui reunir um total de doze pessoas. Todas as pessoas compreendidas nas idades de 14 a 22 anos. Destas doze pessoas, são eles:

  • Um holandês gente boa, um bom amigo;
  • Três coreanas;
  • Uma chinesa;
  • Duas inglesas;
  • Quatro americanas;
  • Uma brasileira (paulista).

Dessas pessoas todas, três são comprometidas. Ou eram, antes de me conhecer.

Uma delas terminou no dia seguinte à nossa conversa. No dia seguinte ao término, já estava dizendo me amar. Incrível a velocidade dessa tal internet.

Outra, quando me conheceu, estava com um dilema: um “long distance relationship” com um garoto mais novo que ela, que ela não se sentia atraída por ele; e um rapaz com pinta de garanhão da vizinhança. Não ajudei em muita coisa, falei o que a gente fala nessas ocasiões, para ela pensar com calma, ser honesta consigo mesma e correr atrás do que queria de verdade. Bem, agora ela não tem mais um “long distance relationship” com um garoto na Flórida.

A última, gostei de ver, mantém se fiel ao namorado. Um casal fofo de chineses. Ela é toda respeitosa, ralhou comigo quando me referi a ela como “dear” ou “baby”, comum em países menos conservadores. Gostei, nos tratamos como irmãos agora. Sempre quis uma irmã mais nova que morasse do outro lado do mundo.

Conheci uma americana com os mesmos dilemas que eu, outra com o mesmo pensamento que eu. Outra com o mesmo gosto musical. Conheci gente que era inocente e gente que era metida a malvada. Mas o que me impressionou é que todo o mundo está lá pelo mesmo motivo mas dizem sempre as mesmas mentiras (salvo raras exceções).

Cheguei a desenvolver um script de como me apresentar evitando a banalidade com a qual as pessoas tratam esse tipo de coisa hoje em dia. Normalmente, as pessoas entram na sala de chat e já lançam logo um “asl” (age/sex/location — idade/sexo/localidade) para saber tudo o mais rápido possível. Deus?! Para quê?! Por que não aproveitar a conversa com calma? Prefiro fazer como me acostumei a fazer:

“Hi” — “How are you?” — “What’s your name”

Ninguém NUNCA espera que se pergunte coisas comuns como o nome e como estão. O bom é que você já descarta quem está em busca de sexo virtual. E já sabe o sexo da pessoa só de saber o nome, sem a grosseria da pergunta “boy or girl?”.

Depois disso, ao invés de correr para “Where are you from” ou “How old are you”, hora de supreender de novo: “What do you like to do? What’s your interests?!”. Com isso, você toma um ar mais sensível. As pessoas deixam de tratar-te como um simples fluxo de dados atravessando cabos de fibra óptica. As pessoas, em alguns casos, finalmente passam a te tratar com alguma consideração, como se você também fosse uma pessoa.

Depois disso, podemos passar ao que você quiser conversar. O garoto holandês me impressionou com uma vontade absurda de ajudar a resolver os problemas das pessoas. Uma das americanas me levou a knock-out quando me pediu que contasse uma história verdadeira que eu estava vivendo. Retribui na mesma moeda e fui sincero como nunca. Não me arrependo.

Mas ainda assim, quase todos estão lá sob as mesmas mentiras. “What brings you here?” sempre retornará a mesma resposta: “I don’t have what to do” e porque não vão ver TV ou jogar um jogo ou sair com os amigos? Ou dormir, ou fazer algo produtivo. Eu jogo na lata: “I’m here ’cause I feel alone, I’m trying to fill my emptiness”. E todos dão sinais de que são assim também.

Por que falar com pessoas que nunca viu (nem verá) na vida? Eu juro que não entendo. Na verdade, entendo. Eu busco uma forma de me ocupar. Mas e as pessoas? Também. As pessoas querem o mesmo que eu. Elevar, pelo menos um pouquinho, de leve, a auto-estima, acariciar o ego. Querem que alguém as veja na câmera e diga que são bonitas. Que são inteligentes, que tem um trabalho legal, que o país onde vivem é “cool”.

As pessoas querem se sentir amadas porque perderam a capacidade de amar. Ou talvez porque transbordem essa capacidade. Mas buscam isso numa relação sensível, uma relação que pode ser rompida facilmente a qualquer momento. Afinal,  se você não gostar de uma pessoa, basta apertar “Block” no MSN ou no AIM ou no Facebook. É fácil terminar com uma pessoa que nunca se viu. Porque a gente só não quer se sentir sozinho até que a Rapunzel lance seus cachos pela janela ou o Príncipe Encantado chegue no seu cavalo branco e altivo.

O comportamento é tão comum que há sempre os mesmos passos. Quando lamentamos a distância. Quando as pessoas dizem que seria legal nos encontrarmos. Quando as pessoas dizem que seríamos bem vindos como hospedes nas suas casas. Quando as pessoas dizem sentir saudades. Quando as pessoas nos pedem para ir até lá. Como se fosse até a esquina.

Na verdade, não posso garantir que TODOS sejam assim, mas admito que eu sim. E disconfio que as pessoas com quem me identifico também. Todos, agora digo com certeza, temos medo de perder (ainda) mais nessa vida.

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  • 7 February, 2010 @ 11:40 por Melanef
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Relato de uma mente perturbada em uma balada

by Melanef on Jan.17, 2010, under 'Bout Me

A paixão é como uma droga poderosa. Primeiro te vicia e depois te destrói numa explosão ou overdose repentina. Você consome e se apaixona pela própria paixão, acha que o mundo pode ser um lugar feliz se regado a paixão. E você passa a buscar isso. Busca. Como se nada pudesse ser melhor do que apaixonar-se. E, de fato, é. Nada é melhor do que se apaixonar, nada te oferece tanta motivação e força de vontade de uma só vez como a paixão.

E você começa a achar que quando abastecido disso, você é imbatível. Nada pode te superar quando você está motivado pela paixão.

Mas chega uma hora que você dá de cara com uma parede de tijolos no caminho da sua paixão. Porque, afinal, não é simples assim, não basta querer, você tem que fazer o outro te querer. Você tem que se vender como numa prateleira de supermercado sem promoção. Como promover-se quando não pode oferecer nada melhor?

Ah sim, eu simplesmente não sei me promover. E na verdade, escrevo esse texto bêbado, cansado e frustrado, por isso, foda-se.

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  • 17 January, 2010 @ 12:12 por Melanef
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Verdades

by Melanef on Dec.09, 2009, under Poesia

Verdades

É verdade que ela tem um brilho no olhar
Um brilho que me encanta, me ilumina
Um brilho daqueles de dar inveja no luar
Um brilho que me faz desejar essa sina

É verdade que me regozijo na sua visão
De forma que nego a iminência da dor que é amar
De forma que me submeto aos temores de uma paixão
De forma que ignoro o risco de ela me deixar

É verdade que ela me faz rever conceitos
Me faz refletir sobre alguns direitos
Me faz refletir sobre a importância dos meus feitos

É verdade que é ela a responsável
Pela alegria encontrada até mesmo num dia lastimável
Pela esperança de sobreviver a um dia implacável

É verdade que ela tem uma luz no olhar
E que ela sabe, sem querer, como me encantar
E que ela provoca uma vontade de me melhorar
E que ela faz tudo mas só quer passar no vestibular

Amauri de Melo Junior – 10/12/2009

Após longa data, eis que a pia pinga…

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  • 9 December, 2009 @ 23:37 por Melanef
  • 9 December, 2009 @ 23:36 por Melanef
  • 9 December, 2009 @ 23:36 por Melanef
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Desencontros

by Melanef on Dec.07, 2009, under 'Bout Me

Ouso dizer que vivi a vida inteira num deslugar. Não me refiro ao lugar físico. Refiro-me ao lugar, ou melhor, ao deslugar que foi o meu mundo interno. Um deslugar, sim. Um lugar onde me sinto deslocado. Deslocado de mim mesmo quando em mim mesmo. Não, pera, na verdade, acho que não. Vamos recomeçar.

Partamos do princípio do deslugar. O que é um deslugar mesmo? Uma situação de perda de parâmetros comportamentais onde deixaríamos de agir mecanicamente para agir criativamente. Pelo menos é isso o que aprendi hoje. Um deslugar te coloca sujeito à subjetividade, sujeito ao acaso. Mas um acaso criativo, um acaso desejado ao mesmo tempo que indesejado, uma vez que indeseja-se estar num deslugar.

Então, tendo este recapitulado, retomo dizendo que não, ao contrário. Vivi a vida inteira num lugar. Dentro de mim mesmo sempre foi um lugar. Um lugar carregado da sua chatice. Carregado das suas regras. Carregado dos seus parâmetros comportamentais que sempre estiveram a determinar o padrão esperado. Que eu esperei. Que esperaram de mim. Que eu esperei que o mundo esperasse. E assim perdi a melhor fase da vida. Deixei de viver minhas loucuras subjetivas. Deixei de sonhar, deixei de viajar por aí. Para me prender ao real, ao lógico, ao concreto. Por que não abstrato? Por que não fantástico?

Mas tá, uma vez ou outra me desencontrei desse encontro moroso. Uma vez ou outra devo ter estado num deslugar. E quando foi mesmo? Ah sim. Me recordo bem. Uma vez. Que vivi. Vivi. De verdade, vivi. Um deslugar. Tão conhecido lugar. Foi palco. Para a desexperiência. De viver um deslugar. De ser coadjuvante e protagonista. Ao mesmo tempo. De viver e ser vivido. Tal vez foi quando conheci. Reconheci, porque dizem que esse tipo de gente a gente conhece desde sempre e só não se lembra.

Eu os conhecia. De outra vida, ou vai ver do período de desvida. E os reconheci. Logo que os vi. Os doze anos são uma idade tardia para conhecer seus primeiros melhores amigos? Os reconheci e soube. Meio sem saber. Mas soube. E perguntei quem eram. E disseram. E o que respondi? “Sou filho do meu pai” Me lembro. Ainda. Memória guardada. A sete chaves. Como tesouro. Que é de fato.

“Sou filho do meu pai”. E que resposta é essa? Como se todos soubessem quem, diabos, é meu pai. Ainda se soubessem quem sou eu talvez soubessem quem é meu pai e aí saberiam quem sou eu, mas para isso precisariam saber antes quem sou eu, e se soubessem quem sou eu, para que perguntar quem sou eu?

E foi meio assim. Que me desencontrei. De mim mesmo. E fui livre. Para criar. Para ser. Para conhecer. Foi por pouco tempo. Se pudesse escolher, viveria mais. Viveria de novo. Viveria outra vez. Repetidas vezes. Viveria um repeat eterno, um while um maior que zero. Looping infinito do momento de desencontro.

Mas não posso reclamar. Vivo desses momentos raros ainda. Vez ou outra. Quando encontro-os. Ou quando encontro outros também. Daquele tipo. De amigo. Daquele tipo. De irmão. Que nunca tive irmão. Daquele tipo que se ama. O amor que nunca amei.

E admito que vivi. Recentemente. Foi assim. Estava eu num lugar. Lugar comum. Lugar público. Lugar massante. Lugar cansado. E não notei, mas por um instante, me soprou a satisfação. De na minha doce e gentil ingenuidade, eu achar que levava um lugar a alguém que eu achava que estava num deslugar como se estar num deslugar fosse algo ruim. Lembre-se, e não me julgue, até agora pouco, eu achava que estar num deslugar fosse algo ruim. E eu achei sim. Que ela estava num deslugar. E quis levar a ela o meu lugar. E ela disse que também me achava estar eu no meu deslugar. E quis me trazer o seu lugar.

E então, num momento, estávamos ambos tentando expandir nosso lugar para abranger o outro que acreditávamos estar num deslugar. O que não sabíamos é que esse choque de lugar e lugar. Esse encontro. Essa tentativa de mesclar um par de lugares. Isso tudo só fez com que a coisa se tornasse um deslugar. E então, notei, sem saber ainda a notação certa. Experimentei. Notei. Tentei. Acompanhar, porque é difícil, sabe?! Percebi que o deslugar que me encontrei na ausência do meu ou do lugar dela formado justamente pela tentativa de abranger ambos os lugares. Esse deslugar, percebi, era justamente onde sempre quis estar.

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  • 7 December, 2009 @ 23:13 por Melanef
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Costumes

by Melanef on Nov.30, 2009, under 'Bout Me

Quando isso acontece assim. Quando eu não me sinto. Bem. Quando não me sinto. Eu mesmo. Quando não sou. Eu. Já sentiu isso?! Sabe como é? Sabe o que é? Bem, quando isso acontece. Quando isso acontece, eu volto ao meu eu de reserva. Aquele que não deixo ver a luz do dia com frequência.

E quando ele vem. Sabe, quando ele vem, as coisas não são tão diferentes, devo admitir. Quando isso acontece, me fecho no meu mundo. Que mundo? Bem, o meu. Basta ter um livro em mãos, um fone de ouvido e uma música alta. É fácil fugir. Fugir de um mundo onde nada está certo, ou onde tudo está certo mas você só vê uma coisa quebrada. Seja lá o que for. Mas se você só vê uma coisa quebrada, pode apostar que é crítico.

Mas é fácil fugir. Para um mundo de aventura. Ou de amor. Ou de reflexões. Ou de tudo junto. E ao som de algo que sintonize a sua alma. Alguma música que vibre na mesma sintonia, na mesma frequência. E pode ser um metal ou uma salsa; uma sonata ou uma acapela. Não importa.

E quando isso acontece. Bem. Você se aliena. Se fecha no seu mundo. E não quer saber de mais ninguém. Por que?! porque ta bom lá dentro. E quando ta bom, por que mudar? Deixa como está. Deixa ser. Deixa estar. Nada nunca falta. E se falta, você tenta completar. Se te falta carinho, você busca alguém. Deposita me alguém a espectativa de obtê-lo. Se te falta sentimento, você busca alguém que possa te oferecer. Se te falta companheirismo, talvez você busque seus amigos.

Mas a gente nunca procura resolver a raiz do problema. Sim, porque o problema nasce de algum lugar. Essa ausência, esse não se sentir relatado no começo. Essa incompatibilidade consigo mesmo. Isso nasce daqui, ó: s2 daqui de dentro. De onde mais? De uma falha, claro. Uma falha nossa. Uma falha que nos faz nos sentir mal conosco mesmo quando notamos que essa falha existe. E o problema, quer dizer, a solução, é resolver. Resolvendo, tudo deve voltar a fluir. Deve.

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  • 30 November, 2009 @ 23:35 por Melanef
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Busca

by Melanef on Nov.30, 2009, under 'Bout Me

É estranho. E complicado. E tudo parece assim. Como antes. Mas diferente. Ou seja. É e não. É. Você sabe. O que (não) quer. E usa as desculpas mais esdruxulas. O que?! Não sabe? É sempre. Como sempre. Assim sempre. Igual.

Quero dizer e desquero. Penso e repenso. Cogito e renego. Aceito e me comprometo. Há uma vontade. Singular ao mesmo tempo que coletiva. De estar com alguém. Por que não. Ela?! Qual ela? Quem é ela?

Busco. Aquilo. Que não quis mais. Porque não quis mais. Aquela fonte daquilo que já não quis mais que viesse dela. Porque deixou de ser ela mesma. Porque deixou de ser seu próprio foco. Porque nunca teve um foco. Ou se teve, não conhecia. Mas não eu. E virou eu. Quis ser outra. Para direcionar-se ao novo foco. Direcionar-se a eu.

Já não quero. Nem a primeira, nem a segunda. Porque perdi o encanto. Cansei. Me indispus. Surgiu orgulho. Sabe? Quero outra. Porque ela me convenceu a tal. Que outra? Não sei. Busco saber. Desejo saber. Espero saber.

Nem que seja. Num trombar numa esquina. Nem que seja. Num local inóspito. Nem que seja. Nonde sempre estive. Nem que seja. No seio familiar.

Mas procuro. Não me importo se não encontrar. Mas procuro. Outra a quem amar. Ou pelo menos tentar.

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  • 30 November, 2009 @ 1:34 por Melanef
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Amor who?!

by Melanef on Nov.24, 2009, under 'Bout Me

Andei pensando. “Ok, agora conta a novidade.” O que é mesmo o amor, hein? O que eu disse que era? Ah sim, respeito, consideração, mais um punhado de características furadas. “Ok, esse é o fraterno. E o ‘outro’?” Mas… tem outro? Não é só a mesma coisa só que acompanhada de … ahm … paixão, ou algo assim?

Pois bem, sempre achei que sim. Mas e se não for? Quer dizer, parte-se do princípio que em uma relação, pelo menos nos moldes tradicionais, deve haver a lealdade. Até aí, tudo ok, não passa de um acordo entre ambas as partes. Mas não deveria ser o tal “amor” responsável por isso? Quer dizer, deveria ser algo indolor e sem privação, né?

O tal “amor” deveria ser o sentimento capaz de me suprir plenamente em todas as necessidades de forma que eu não precisasse procurar nada em outra pessoa. Isso vale, em teoria, para qualquer necessidade, seja afetiva, seja carnal (éca, odeio essa palavra), seja como for. Acho que esta seria a solução ideal para o paradigma da “traição em pensamento”. Do mesmo princípio, nasce também a idéia de que a coisa seja infinita, ou eterna, já que uma aresta deve aparar a outra, e portanto, nesse troca-troca de suprimentos de carências, deve-se também cobrir qualquer falha que o outro tenha.

Se for assim, peço desculpas aos amigos leitores, mas podem, por favor, ignorar tudo que eu disse até então nos posts anteriores. Tudo isto que senti não passou de paixão. Isso, paixãozinha aguda sem graça e sem vergonha. Muitas delas. Começo a supor nunca ter amado. Será? Bem provável que sim. Minto. Quase certeza. Afinal, em todas as vezes, me privei, muito mais por conta do meu carácter do que por vontade espontânea, de olhar uma bela mulher ou cortejar uma que “desse mole”, ou ainda quando a coisa começava a apertar nesse caminho, terminei a relação. E eis a questão: será que nunca amei? Você já amou? Será que alguém amou? Será que idealizo o amor? Será que estou pensando uma utopia linda e impossível?

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  • 24 November, 2009 @ 21:02 por Melanef
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Missing Parts

by Melanef on Nov.18, 2009, under 'Bout Me

The following text goes in English. If you’d like to read it in portuguese, I’m sure Google may translate it.

O texto a seguir está escrito em inglês. Se você quiser lê-lo em português, tenho certeza que o Google pode traduzir.

It’s weird. Really weird. The way we lose some things. Sudenly we just lost something. Sudenly something is taken from us. Sudenly, somebody takes away our smile. Somebody takes away our reasons to smile. And then. And then, maybe we don’t notice it. Maybe we take some time to notice that something is missing.

Actually, sometimes we’re busy. Too busy. Busy enough that we not even noticed that there was something missing. Something was stolen. And that this “something” is something really important. “Important” is a weak word to describe it. I guess there are not a word to describe it as well as I’d like to. But in this case, I’ll use “the most important”. What’s the most important thing to you?

Each person has an answer for it. What do I think? Well, in my opinion, the right answer is the following: the most important thing is a feeling. More than a feeling, a sensation, an emotion. What of them? I’d like to believe it’s the love. Maybe the friendship, but actually I don’t know.

This is the point. I don’t know exactly what’s the most important thing I have, but I’m sure it was taken. It was taken a few months ago, but just now I noticed it. It was taken. That. The most important thing I have. The reason of my happiness. And at this moment I’m trying to understand how it was gone, and trying to discover how to get it back.

Now, there is only a hole. There’s a hole in my soul. Through this hole, my joy goes away from me. And it left pain. Pain is the result. When you’ve lost the thing you consider the most important, then you feel pain. It’s like something had gone away and will never come back. This is the part that I feel the fear. There is the pain, and now there is the fear too. It’s almost like the apocalypse.

And it was only because somebody disappeared. This person who was one of my best friends. Have you ever felt like everybody could die, the world could simply collapse that it wouldn’t be any matter if you could keep my friends safe? Well, that’s the way I feel. For me, anybody is important, only those people who proved it to me, and these ones are the ones I use to call friends. There are more than friendship between us, there’s love.

And one of this people simply disappeared. “How?!” I asked myself a thousand times. “Why?!” I wondered. And now, I’m here. Under this pain and this fear. The pain, ’cause it’s painful to miss somebody like this one. The fear, ’cause it’s fearful imagine that somebody is gone simply and I’ll never again talk to her. And yes, the person I lost is a “she”.

One of the most amazing girls I’ve ever met, and the one I’ll never meet alive, ’cause we only talked to each other through internet. So, is this it?! She disappeared and I’m fated to never talk to her again? The life is unfair. The life is painful. The life is fearful. The life is a spirit state that I’d like to skip. Now, at this very moment, I’d like to don’t live anymore, ’cause for me, life is meaningless now.

While this text was writen, I was listening to  Radiohead. This may mean something to you if you know me or if you know Radiohead.

apocalypse

apocalypse

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  • 18 November, 2009 @ 19:32 [Autosave] por Melanef
  • 18 November, 2009 @ 19:32 por Melanef
  • 18 November, 2009 @ 19:31 por Melanef
  • 18 November, 2009 @ 16:16 por Melanef
  • 18 November, 2009 @ 16:06 por Melanef
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Contravenções

by Melanef on Oct.01, 2009, under 'Bout Me

Ela me faz ir contra alguns princípios. Não que ela faça isso por querer. Não. Na verdade, eu faço isso por ela. Na verdade, eu faço isso porque quero estar com ela. Por exemplo: por causa dela, eu quero que a segunda feira chegue logo. Por causa dela, eu tenho que me esforçar para engolir o meu orgulho. Por causa dela, eu revejo os meus conceitos e me deparo com um eu mesmo. Um eu de quem eu não gosto. Um eu que precisa de reforma.

Ela me faz ir contra eu mesmo. Não que ela faça isso por querer. Não. Na verdade, eu faço isso por ela. Na verdade, eu faço isso porque quero estar com ela. Por exemplo: por causa dela, eu quero vencer minha ansiedade, meu egoísmo, minha estupidez e minha ranhetice. Tudo de uma vez. O quanto antes. Para ser. Melhor. Para ela. Quero deixar de ser eu. Eu como sou. Tirano e prepotente. E orgulhoso. Porque ela odeia gente orgulhosa.

Ela me faz ir contra meus hábitos. Não que ela faça isso por querer. Não. Na verdade, eu faço isso por ela. Na verdade, eu faço isso porque ela me faz me sentir diferente. Antes, me pegava rindo igual bobo, sem motivo mas com um motivo absolutamente compreensível. Ainda me pego. Mas quando estou sozinho, me pego a chorar. Chorar porque não entendo. Não entendo o que eu tenho de mais. Não entendo o que me destaca como merecedor disso. E por que eu fico feliz enquanto o mundo todo sofre ao meu redor? O que eu fiz para merecer tamanha graça?

Será que não posso transferir essa graça a um outro alguém? Não que seja ruim, é maravilhoso. Mas dói ler um texto e deparar com tanta dor, e se perguntar por que é que alguém tem que sofrer assim enquanto eu sou feliz? Dá aquela puta sensação de egoísmo culpado. Aquela sensação de que o mundo anda meio torto e é culpa minha.

Ela me faz me perguntar se sou merecedor. Logo eu que sempre me perguntei se era merecedor. Mas antes reclamava do desconcerto do mundo, que para mim, consistia em estar sozinho. Agora reclamo do desconserto do mundo de só eu me sentir bem. É pecado sentir-se pleno por natureza? Por estar junto de quem se ama? Por achar que é amor essa plenitude?

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  • 1 October, 2009 @ 13:44 [Autosave] por Melanef
  • 1 October, 2009 @ 13:44 por Melanef
  • 1 October, 2009 @ 13:43 por Melanef
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Quereres

by Melanef on Sep.21, 2009, under 'Bout Me

Não me sinto cansado. Mas não quero ficar acordado. Quero. Não quero. Quero. Não quero. Quero dormir. Dormir para passar rápido. Para a noite virar dia. Para a ausência virar presença. Que se fico acordado, a noite demora a passar. Demora na espera. Espera que pode ser em vão. Eu mesmo mandei ela não voltar. Precisava descansar, a coitada. E se ela voltar, vou ficar atrapalhando; se atrapalho, ela demora, se demora, fica cansada, se fica cansada, amanhã estará péssima.

Prefiro que ela durma. Que eu durma. Que ambos durmamos. Separados por quase vinte quilometros de distância. Que assim não há mal. Que assim amanhã estaremos descansados. Eu, sem dúvida, não preciso levantar cedo às segundas. Ela, porque precisa mesmo descansar. E é claro que prefiro que ela se sinta bem a passar um momento mal por minha causa. Não, longe de mim. Não quero. Prefiro abster-me do contato com ela para que ela se sinta bem. Bem para o que ama. O trabalho. E eu que sou o “homem altivo e laborioso”*.

Nessa hora, sou forçado a me perguntar o que eu quero dela. Primeiro, que seja feliz. Que é o que desejo a quem eu quero tão bem quanto a ela. E olha que são poucas as pessoas. Depois, que se cuide, que se deixar, ela nos deixa com uma mão na frente e outra atrás, sem despedida, de tanto trabalhar. Mas e em terceiro ? Isso já foi tema de discussão.

Acho que eu mesmo não sei o que quero. Será que quero que ela goste de mim? Será que quero que ela goste de mim na mesma intensidade que gosto dela? Será que não estou sendo injusto? Será que quero demais dela? Será que é verdade e só eu não sei, mas no fundo, eu só quero sexo?

Incrível essa idéia de querer e não saber que se quer. Tem um nome, chamam de subconsciente. Temo pelo que o meu subconsciente pode querer sem me contar. Vai que eu tenho um pervertido por trás da cortina?!

Mas, será que não quero demais dela? Mas o que eu quero, mesmo? Será que quero possuí-la? Tê-la para mim, no âmago do meu egoísmo, tê-la como uma salvação mágica, isso, uma solução divina para o problema da solidão. Será que isso não é exigir demais dela? Esperar demais dela?

Tenho um grave problema com esperar demais das pessoas. Convenci-me, por várias vezes, que alguém poderia me oferecer algo, esperei algo dessa pessoa, e quando dei por mim, mais uma vez a porta da decepção batia na minha cara com o mesmo aviso em letras vermelhas e caixa alta: “Nunca espere nada de ninguém”.

Será que quero dela uma fuga? Uma válvula de escape? Uma saída? Ou seria uma entrada? De repente, quero dela o contrário, uma entrada. Será que não to vampirizando a vontade de viver dela? Será que não to vivendo a vida dela? Será que através da vida dela quero viver? E será que seria este o motivo de eu querer a felicidade dela? Porque assim, a minha felicidade viria junto, como numa venda casada.

Será que quero ela para apresentar aos meus pais? Ou talvez aos meus amigos? Ou talvez a mim mesmo? Ao meu eu pervertido, aquele que cogitei a possibilidade de existir parágrafos atrás. Será que quero ela para ter alguém a quem ser leal? Será que quero que ela seja leal a mim? Será que quero dela um compromisso? Uma certeza? Será que isso não é querer demais? Voltamos à idéia de esperar demais.

Será que não quero estar com ela para elevar minha auto-estima? Será que não quero estar com ela para fazer ciúme a alguém? Mas se for, quem? No atual momento, desconheço. Juro. Verdade!

No fundo, no fundo, não sei exatamente tudo o que quero dela. Uma coisa eu tenho certeza. Uma coisa que essa, me reservo no direito de achar que ela também quer de mim. Pelo menos isso. É uma coisa simples. É sublime. É fofo, como ela diria. Acho que é auto-justificável na sua essência. Acho que pelo simples fato de eu querer isso, já explica o que sinto aqui dentro, este querer a respeito dela.

E o tal querer tão misterioso, o querer singular, o querer ímpar, o filho único de mãe-solteira, excepcional diante dos quereres que não sei se quero ou não, a única certeza que tenho, é que quero estar com ela. Quanto? Quanto for possível. Mas sei que não posso abusar, se não ela se cansa de mim e me manda pastar. Se pudesse, dava um jeito de passar o tempo todo ao lado dela. Nem que fosse para vê-la dormir, ou trabalhar. Mais provável o segundo, porque o primeiro ela pouco faz.

Nem que fosse para dar bom-dia logo que acorda ao vivo e beijo de boa-noite antes de dormir, ambos em substituição à cento e quarenta caracteres em uma mensagem de texto de celular. E talvez assim, o meu querer parasita estivesse satisfeito.

Repito que estou ciente da impossibilidade. Imagina, antes da primeira semana ela teria me dado um tiro. Seria exatamente igual à reação dos glóbulos brancos que têm por fim exterminar qualquer parasita localizado no nosso corpo. Por isso, me contento em estar com ela quando ela quer estar comigo. Quando ela deixa. Quando ela decide que posso para não ficar mal-acostumado. Porque é assim que tem que ser. Se não, ela cansa de mim.

* Significado do nome Amauri: Homem altivo e laborioso. Fonte: Da juventude

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  • 21 September, 2009 @ 1:03 [Autosave] por Melanef
  • 21 September, 2009 @ 1:01 por Melanef
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Fico

by Melanef on Sep.17, 2009, under 'Bout Me

Se fico, é uma tortura. Se vou, é uma tortura. Se fico, porque secretamente tenho esperança de que ela apareça. Se vou, porque secretamente tenho esperança que ela apareça. Primeiro, porque é uma ansiedade só esperar que ela apareça. Segundo, porque se ela aparecer, não estarei lá. E se ela aparecer e não tiver assunto? E se aparecer eu estiver longe? E se tentar falar comigo? Pior: e se não tentar? E se a gente discute por uma bobeira qualquer?

Pelo sim. Fico. Pelo não. Fico. Enquanto aguentar. Fico. Enquanto puder. Fico. Porque vai ver, ela aparece. Fico. Porque vai ver, a conversa é boa, como sempre. Fico. Porque enquanto ela não disser que vai embora e for mesmo, aqui é o melhor lugar. Fico. Porque se não aparecer, não terá sido por falta de eu esperar. Fico. Porque se eu ficar significa ter mais chance de falar um segundo a mais com ela, vale a pena. Por isso. Fico.

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  • 17 September, 2009 @ 14:54 [Autosave] por Melanef
  • 17 September, 2009 @ 14:53 por Melanef
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Carbono

by Melanef on Sep.14, 2009, under 'Bout Me

Eu sei. Que uma hora ela vai me largar. Eu sei disso. E temo por isso. E temo saber. E temo estar certo. E temo que seja logo. Temo também que seja daqui a muito tempo.

(…)Andava apreensivo e o meu hábito de ruminar cada coisa durante muito tempo estava acabando com ele, mas era inevitável.(…)

CORTÁZAR, Julio. O Jogo da Amarelinha, p.70-71

O velho hábito. De ruminar. Engolir e regurgitar. E engolir novamente. E mastigar sempre. De novo. E. De novo. Repassar cada cena. Repassar cada fala. Repassar cada momento. Tentando não perder nada. Tentando me apegar a algo. Tentando agarrar. Agarrar ela, ou a esperança. Solta numa frase. Ou numa consideração. Ou num instante.

Sou uma vaca sentimental pastando em busca da certeza do sucesso ou da incerteza do fracasso. Fracasso. Por não ser tudo isso. Por não apaga-lo. Por não removê-lo dela. Por não tirá-la das garras dele. Uma incerteza. Uma eterna incerteza. Tão eterna como o prego que mantém a Terra em órbita. Órbita torta. Órbita elíptica.

Sim. Eu sei. É tudo coisa da minha cabeça. Sei que não deveria. Não deveria pensar. Mas o pensar é mais forte que eu. Como o trabalhar é mais forte que ela. Como o amar é mais forte que nós dois juntos. Seja eu a ela, ou ela a mim, ou ela a outro alguém, ou eu a uma qualquer.

Será uma longa semana. Uma semana de doze dias. E este dia é como uma unidade molecular. A mesma unidade molecular usada na massa atômica. Um doze avos de um átomo de Carbono-12. Um doze avos de uma semana imensa.

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  • 14 September, 2009 @ 10:53 por Melanef
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Absolutismo

by Melanef on Sep.13, 2009, under 'Bout Me

Há o que? Dois meses? Que houve uma poesia. Que houve a última publicação. Talvez um pouco mais de tempo desde um texto que dissesse de mim mais do que eu gostaria que pensassem.

Não que não houvessem coisas a serem ditas. Haviam. Centenas. Inúmeras. Crescentes e borbulhantes. Em um estado de ebulição, pedindo para serem gritadas, cospidas, vomitadas sobre quem quisesse  ler ou sobre o passante distraído na rua. Em um instante. Instante incostante. Lunático constante. Constante incostante.

E hoje há de novo. Há ainda. Há sempre, há porque existo. Há porque o ar é o meio no qual viajam as moléculas de Oxigênio (O2) que é o sustento destas células. Estas, que viajam o corpo todo levando alimento às outras células. E estas também, que se contraem e esticam para movimentar dedos e mãos. E estas que processam o alimento recém ingerido. E estas que neste exato instante constroem essas palavras a serem digitadas por aquelas outras que são ocupadas por movimentar. Enquanto isso ocorre, cá estou eu. Cá estou eu a pensar, a ruminar, a remoer, engolir e regurjitar o que permeia o pensamento.

O que permeia o pensamento ?? Não sei, só sei que nada sei. Frase célebre. Parecer célebre. Ser célebre por tabela. Ser por parecer.

O que importa é o que sinto. E o que sinto, hoje, agora, há algum tempo, é um estar absoluto. Não é o estado de “estar” que é absoluto, mas sim eu que me sinto estar absoluto. Absoluto, ou completo, ou preenchido.

Há instantes, pensei em traçar um paralelo entre a ação de escrever com objetivo e o ato de amar. Ambos são bastante semelhantes n’alguns aspectos. No primeiro, deve-se esconder do leitor o que deseja-se que ele descubra por sí só, mas deve-se também dizer o que ele precisa saber para deduzir. É o dizer-sem-dizer, o dizer obscuro, por meneios, por voltas e trejeitos, seja o que for. No amor, ao que parece do pouco que aprendi dessa vida, deve-se também amar-sem-amar, querer-sem-querer. Deve-se evitar dar a certeza ao outro, se não tudo torna-se fácil demais. Não que deva ser difícil, deve-se achar o meio termo. Igual escrever com propriedade. Escrever com propriedade e amar com vontade estão intimamente conectados nessa característica.

Mas isso cansa. Sim, cansa. Notem como escrevo. Poderia ter descrito as mesmas idéias que nessas linhas até aqui em N! (êne-fatorial) parágrafos e teria sido muito mais instigante e interessante (ou não, há controvérsias) ao leitor, e no final ele se sentiria muito mais satisfeito de ter decifrado a mensagem escondida em tantas artimanhas. E devo admitir que no amor atuo da mesma forma. Sei que talvez eu esteja privando a pessoa da delícia da descoberta por mérito próprio quando digo a ela a respeito do meu interesse. Mas cansei. Cansei de fingir não sentir. Cansei de jogar. Porque deve-se jogar?

Tanto amar quanto escrever são dois esportes cujo melhor resultado possível é o empate. Para que uma composição valha a pena, tanto autor e leitor devem empatar, pontuando simultaneamente em cada oração, em cada proposição e explicação, n’onde o primeiro pontua ao desafiar e o segundo pontua ao cumprir o desafio proposto ao seu intelectuo. Os amores que dão certo são assim também. Caso um dos dois vença, a relação está fadada à dependência de um ou de outro, ao invés de ambos. E é incrível como é possível que o ambos possa ser substituido por um ou outro simplesmente, como se fossem mesmo equivalentes.

Assim sendo, uma vez que eu mesmo venho a propor e me desarmo na incapacidade de continuar a propor, será que estou decretando um empate em zero a zero, ou estaria eu entregando os pontos ao adversário-companheiro-parceiro-amante sem mais nem menos?

Acabei de dizer, em uma conversa, que privar alguém de uma provação ou de um sofrimento é a maior injustiça que alguém pode cometer a este outro alguém. Isso porque é sofrendo que as pessoas crescem. Infelizmente, o mundo é uma grande polidor de pedras. “(…)Um grande tambor que gira sem parar, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, cheios de água, pedras e cascalho. Moendo tudo o que está dentro e girando sem parar. Polindo aquelas pedras feias até transformá-las em gemas bonitas. A Terra é assim, e gira por causa disso. Nós somos as pedras. E as coisas acontecem conosco… drama, dor, alegria, guerra, doença, vitória e maus-tratos… ora, são apenas água e areia para nos erodir. Para nos moer. Para nos polir até ficarmos bonitos e brilhantes.” (PALAHNIUK, Chuck. Assombro, p. 101). Isso se expande a tudo, cada contato, cada sensação, cada impressão fazem parte deste processo de polimento e lapidação. Cada relação é uma lasca. Se essa lasca nos faz melhor ou pior, não interessa, mas tudo é uma lasca, e a diferença que isso faz para nós é quanto a presença ou ausência dessa lasca faz falta ou não, quanto isso nos afeta.

Ao mesmo tempo, essa também é a maior prova de compaixão, a maior prova de justiça e inteligência humana. Por gostarmos, querermos bem a alguem, somos incapazes de deixar que as pessoas passem pelas próprias provações e sofrimentos sem que nós tentemos diminuir-lhes a dor, sem saber, ou mesmo sabendo que com isso estamos privando essas pessoas do próprio crescimento, da própria melhora, do progresso.

Será que então, quando me nego a jogar o jogo, quando recuso-me a esconder por esconder sabendo que o melhor resultado possível é um empate, será que neste momento, eu não estou privando-a de me conhecer? Quer dizer, faço isso justamente para que ela me conheça de cara, mas será que não tiro algo dela como aquele gostinho de me conhecer amplamente como só quem descobre pode sentir, diferentemente de quem é ensinado?


Espero que não. Sinceramente. Espero que não esteja privando-a disso. Porque simplesmente prefiro as coisas ditas sem medo. Prefiro entregar-me. Prefiro dizer. Dar a cara a tapa. Estou aqui. Uma face. Não. Duas faces. Esperando. Pelo seu tapa. À sua total disposição. Para morrer. Por você. Para o que. Você quiser.

Em suma. Sinto-me absoluto, completo, reconstruido. Vítima de epifania. Sim. Imobilizado neste momento. De tamanha maravilha que admiro. O mundo. Sim. Belo. Respeitável. Da natureza ao fútil. Do profundo ao singelo. Do tecnológico ao emocional.

Passar bem.

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  • 13 September, 2009 @ 14:50 por Melanef
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O Arrependimento

by Melanef on Jul.04, 2009, under 'Bout Me, Poesia

Há dias e dias … hoje há no céu uma lua crescente; há um amor nesse coração descrente…

Soneto do Arrependimento

E não se pode mesmo comprar o amor
Quem tenta acaba só conseguindo dor
Mas se pudesse, o dela eu compraria
E com tudo o que posso ter, eu pagaria

E não se pode mesmo voltar àquele momento
Que eu senti nascer em mim o sentimento
Mas se pudesse, uma vez só eu voltaria
E o mundo todo, de cor, se encheria

Mas não se pode fazer o tempo voltar
Ou alguém incondicionalmente me amar
Então vou lutar para ela, eu reconquistar

E se der certo, a levarei para ver o mar
A mulher mais feliz do mundo, eu irei a decretar
E todos os dias, o que eu sinto, vou reafirmar

Amauri de Melo Junior
(04/07/2009)

Desejo a todos que sejam felizes … sempre … independente de acompanhados ou não, saudáveis, de preferência, e com animo, sempre que quiser algo conquistar, seja o que for, seja quem for.

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  • 4 July, 2009 @ 2:12 [Autosave] por Melanef
  • 4 July, 2009 @ 2:00 por Melanef
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A Saga

by Melanef on Jun.24, 2009, under 'Bout Me

Ok, aqui estou de novo, e dessa vez, com o motivo das minhas dores. Sim, finalmente um diagnóstico.

A saga

Eu sempre sonhei ser amado por alguém
E até desejei ser capaz de amar também
E essa sempre foi a minha maior ambição
E eu sempre quis ser satisfazer meu coração

Mas esse sonho sempre me causou destruição
Foi a minha louca busca que me levou
Sempre ao desespero de uma nova paixão
E sempre fui afundando mais e mais e aqui estou

Aqui, no fundo do poço onde me definho
Busco novamente tentar encontrar uma saída
Nem que for só o que restou do meu caminho

E eu gostaria de poder contar com alguma ajuda
Mas sei que a culpa é só minha
Se no meu peito há esta dor aguda

Amauri de Melo Junior
(23/06/2009)

A idéia desse texto veio hoje de manhã, quando minha mãe me perguntou sobre o programa de sábado à noite. Como o desfecho foi trágico, no final das contas, e agora sei que por minha própria culpa, eu respondi que não interessava, e ela, claro, se zangou e ralhou comigo porque eu sou estúpido. Além disso, algo vem pesando na minha cabeça que é a bronca que uma amiga minha me deu no fim de semana por causa da minha impulsividade, nas palavras dela, “se você não dá valor à sua vida o suficiente, os seus amigos que te amam dão e não querem te perder”.

Bem, não foi díficil deduzir com esses dois apontamentos, além do tema do Evangelho de domingo: “O Amor”. Aí que está. Eu não sei amar. Eu sempre busquei quem me amasse, sempre busquei alguém a quem amar, sempre me atirei nos braços de quem eu queria que me amasse sem nem ao menos amar a mim mesmo primeiro. Eu não lembro de um só momento que eu tenha amado a mim mesmo que não tenha sido quando achava que tinha a quem amar.

Acho que nessas ocasiões, o mundo se enchia de cor, tudo tinha um sentido, tudo dava prazer. Como foi a semana passada. Ler dava prazer; esperar dava prazer; dormir dava prazer; sentir dor dava prazer; tudo, absolutamente tudo dava prazer. E não digo o prazer no significado estrito da palavra, mas sim no sentido amplo, o prazer de viver. Eu tive prazer de viver. Algo que nunca tive.

Nunca soube amar a mim mesmo, logo, não poderia amar ninguém. Como diz no mandamento: “amar ao próximo como a si mesmo”, mas MEU DEUS, se eu não me amo, eu não sou capaz de amar ninguém, não poderia nem amar a mulher da minha vida. Corro o risco de ela ter passado pela minha vida já e eu não ter notado, porque eu não me amo e não estive pronto para recebê-la, eu estava ocupado procurando o amor que eu tanto carecia em outras pessoas, ao invés de mim mesmo.

Acho que esta é a forma mais medíocre de viver a vida. Me sinto o mais imprestável dos seres humanos. Me sinto a escória da humanidade, e não espero que vocês tenham pena de mim, desejo é que, com isso, vocês notem como a vida de vocês é boa. É na ausência do meu amor-próprio que reside a minha paranóia. É na falta de eu me aceitar e me amar como sou que reside a causa de todas as minhas falhas na vida inteira.

Eu lembro de ter chorado quando Airton Senna morreu, mas não chorei quando roubava dinheiro da minha avó aos seis anos. Não sei nem para que precisava daquele dinheiro, eu achava que precisava de algo que não me pertencia, por achar que seria importante ter dinheiro. Eu sei que chorei várias vezes quando uma paixão tomava um desfecho negativo, mas nunca chorei por não ter aproveitado a minha vida direito, nunca chorei por ter desperdiçado a minha infância dentro de casa ao invés de conhecer pessoas e experimentar a socialização; ou ainda, não chorei quando minhas notas não eram boas o suficiente para trazer satisfação para os meus pais que investiam no meu futuro.

Eu não sou capaz de amar nem quem me faz bem, quem dirá quem me faz mal, ou quem me trata com indiferença?? Por isso que sim, agora tudo se encaixa perfeitamente, tudo faz sentido. E eu aceito com resignação. Obrigado pela leitura.

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  • 24 June, 2009 @ 0:43 por Melanef
  • 24 June, 2009 @ 0:43 por Melanef
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Dark Night of the Soul

by Melanef on Jun.21, 2009, under 'Bout Me, Poesia

O Título do post de hoje é o nome do novo projeto do Sparklehorse, juntamente com um cara que eu não conhecia chamado Danger Mouse. Eles comporam as músicas e convidaram alguns artistas para realizarem as performances. E é incrível como as melodias caem perfeitamente bem nas vozes desses artistas. É ao som disso que eu, mais vazio do que uma bexiga furada, venho trazer a vocês a minha mais nova experiência.

Recorrência

É incrível o poder do ser humano
O poder de simplesmente sonhar
Mas sempre me pergunto se não foi engano
Sonhar com o que não se podia conquistar

E eu sei que sempre defendi
A idéia de que se foi opção pensada
Não posso chamar de engano o que cometi
Pois a escolha foi devidamente analisada

Mas se foi analisada, me pergunto a razão
De ter culminado em tal fracasso, esta dor
Será que não foi um esforço a mais em vão?

E se foi em vão, porque resta esse rancor
De mim mesmo, que não fui capaz de administrar
As vontades e as necessidades desse novo amor?

Amauri de Melo Junior
(21/06/2009)

Esse texto tem um motivo sim. Quer dizer, até onde vale a pena ir em busca de uma relação, em busca de uma companheira, em busca de alguém que se ame e que te ame de volta? Sinceramente, para mim, até o inferno, se necessário for. O problema é achar quem esteja disposta a me aceitar, seja aqui, seja lá (no inferno).

O pior é que às vezes, você acha alguém que te chama a atenção, alguém que te dá atenção, alguém que se encanta com você com a mesma velocidade com a qual você se encantou com ela. E aí que ta o super-poder do ser-humano de se sonhar, mas no meu caso, sonhar com o impossível, com o absurdo, com a transgressão das regras deste mundo: a felicidade. Acho que já disse aqui e repito que a felicidade não pertence a este mundo.

O fato é que conheci sim alguém que, de início, parecia ser quem eu havia buscado a vida inteira. Mas acho que cometi o mesmo erro de sempre, que é esperar algo das pessoas. Já dizia uma pessoa muito sábia: “Nunca, nunca, nunca espere nada de ninguém. Ninguém te oferece nada, você sim, deve oferecer, mas sem esperar algo”. E é isso, eu esperava mais do que a pessoa estava disposta a me oferecer.

Assim sendo, acho que é hora de voltar à minha reclusão solitária, voltar às paixões de uma semana, voltar às baixíssimas expectativas. Desejo a todos uma sorte melhor que a minha.

Passar bem.

PS: Para ilustrar, coloco aqui três músicas. A primeira, é a história da minha vida, e um dos versos do final tem sido o meu lema já há algum tempo: “All the love gone bad turned my world to black” (Todo o amor que deu errado tornou o meu mundo negro) e outro verso do final diz: “I know someday you’ll have a beautiful life, I know you’ll be a star In somebody else’s sky, but why Can’t it be, can’t it be mine” (Eu sei que algum dia você terá uma vida linda, eu sei que você será uma estrela no céu de outra pessoa, mas porque não pode ser no meu) ; a segunda é uma das músicas que mais me toca; a terceira é uma música do projeto supracitado.

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  • 21 June, 2009 @ 9:51 [Autosave] por Melanef
  • 21 June, 2009 @ 9:37 por Melanef
  • 21 June, 2009 @ 9:37 por Melanef
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O Espetáculo

by Melanef on May.14, 2009, under Poesia

Poesia nova … e esta tem dois temas … o primeiro, mais comum nas minhas composições, é a Paixão … o outro é o show do Radiohead, que como demonstrei em alguns posts anteriores, me emocionou muito de tão bom que foi.

Segue…

O Espetáculo

Muitos como eu se reuniram
Para assistir a uma apresentação
E todos supunham ou sabiam
Da preciosidade da ocasião

Todos esperavam uma onda
Mista de melancolia e emoção
Era a marca registrada
Daqueles que eram a atração

Porém eu não esperava
Que logo algo roubaria
Toda a minha atenção
Era carisma que encantava,
Beleza que enlouquecia
Quem notava maravilhosa visão

Tão notável era a beldade
Que disputava em pé de igualdade
Com os responsáveis por aquela comoção
A minha mais sincera admiração
E ela atraia enquanto idolatrava
E a música fluia enquanto eu sonhava

E então, me senti perplexo
O coração totalmente dividido
Ao som daquela música
Ao som do ídolo aplaudido

Foi aí que me senti solitário
Em meio à toda aquela multidão
Simplesmente não posso negar:
Naquele instante, nascia uma paixão

Amauri de Melo Junior
(14/05/2009)

Fico por aqui … até mais

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  • 14 May, 2009 @ 10:23 [Autosave] por Melanef
  • 14 May, 2009 @ 10:22 por Melanef
  • 14 May, 2009 @ 10:22 por Melanef
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Abordagem

by Melanef on Mar.26, 2009, under 'Bout Me, Poesia

Ta legal … o texto de ontem à noite não ta tosco … ta péssimo … isso que dá se aventurar a escrever algo por conta própria sem planejamento algum: meia dúzia de versos porcos. Mas to assim e quero porque quero escrever. Espero que este esteja um pouco melhor:

Abordagem

Eu deveria começar por te elogiar de uma forma banal
Citando qualquer detalhe que chame a atenção
Mas fazer isso seria faltar com observação
Já que você inteira é de uma beleza descomunal

E penso que descrever assim não é o bastante
Percebo que falta palavra, metáfora ou expressão
Para expressar o que causa em mim a sua visão
E concluo que nada no mundo é verdadeiramente importante

Me pergunto o que é capaz de te trazer alegria
Pois é fácil pensar em largar tudo e viver em função de ti
Sendo assim, um sorriso seu valeria meu dia

A vida não teria mais infelicidade
O mundo seria colorido como jamais foi
Todo sentimento além do amor seria uma banalidade

Amauri de Melo Junior
(26/03/2009)

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  • 26 March, 2009 @ 9:45 por Melanef
  • 26 March, 2009 @ 9:44 por Melanef
  • 26 March, 2009 @ 9:44 por Melanef
  • 26 March, 2009 @ 9:43 por Melanef
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Just a wonderful night

by Melanef on Mar.23, 2009, under 'Bout Me

Segue abaixo trecho de uma conversa com amiga minha … sobre uma das experiências mais marcantes da minha vida que foi ontem … quem viu viu, quem não viu, tente imaginar através das minhas palavras …

Viviane diz:
oie
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
hey hey!!! tudo bom contigo ?
Viviane diz:
eh… nao totalmente to meio gripada x_x mas jah melhorei hehe
Viviane diz:
e vc?? =D
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
ouch … estimo as melhoras
Viviane diz:
valeu ^^
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
eu to feliz e triste ao mesmo tempo … extasiado e esgotado …
Viviane diz:
ah eh?
Viviane diz:
pq?
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
como diz o meu nick, o show de ontem foi “uma noite de vinte e seis sonhos maravilhosos” (numa descrição bem clichê), foi simplesmente incrível, fantástico, magnífico, maravilhoso e tudo isso junto e acumulado ainda é pouco
Viviane diz:
=DDDDD
Viviane diz:
q bom =D eu ai te perguntar como tinha ido msm hhe
Viviane diz:
mas pq triste?
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
e triste pq acabou … esgotado por cansaço físico … extasiado pela carga emocional que o show me deu … feliz por ter feito parte do que alguns críticos chamam de melhor apresentação da banda
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
triste porque agora só Deus sabe quando vou provar de novo da companhia de cinco músicos que gravaram suas imagens e seus sons na minha memória, meus tímpanos, minhas retinas e no meu coração com tudo o que sinto pelo que a música deles representa para mim … o show foi muito mais uma experiência particular de cada um dos espectadores do que do grupo coletivo mas ao mesmo tempo muito mais interpessoal do que reclusa já que todas as pessoas compartilham de sentimentos parecidos em relação a tudo isso … e eu acho que to um tanto quanto poético hoje
Viviane diz:
hmmm =/
Viviane diz:
ehh, ta msm ^^
Viviane diz:
mas pense q foi um privilegio vc poder ter participado disso tudo
Viviane diz:
pq por pouco vc nao pode
Viviane diz:
ainda bem, fico feliz por vc ter ido e vivido tdo isso =)
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
mas diante do que presenciei hoje, não tenho coragem de colocar o lápis sobre o papel e riscar palavras e versos pela mediocre (falta de) qualidade que será produzida … sabe quando vc fica com vergonha por fazer alguma coisa quando conhece algo ou alguém que faz isso de uma forma infinitamente superior ?? a música do Radiohead é muito mais poética do que suas letras transparecem, porque a mistura de sons desconexos e as letras melódicas tocam o íntimo de quem a aprecia … cada um enxerga o que quer nas entrelinhas … e vejo tudo o que já senti e jamais consegui colocar para fora … aí que agora dá aquela vergonha de compor algo achando que faço isso direito quando há quem o faça tão melhor
Viviane diz:
sei =/
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
e ahm … se você permitir, vou postar esta conversa, pode ser ?? acho que coloquei aqui bastante do que eu queria dizer sobre o show e sobre a experiência como um todo
Viviane diz:
haha ok ^^
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
mas enfim … vc vê como isso me tocou ?? depois de ter dito tudo isso, continuo ainda com o sentimento de que não atingi o ponto que queria, o que me força a dizer que estou “sem palavras”
Viviane diz:
haha
Amauri –> A night of 26 worderfull dreams diz:
embora tenha derramado um caminhão delas sobre você e agradeço imensamente pela sua atenção já que eu realmente precisava disso
Viviane diz:
eu percebi.. ._.

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  • 23 March, 2009 @ 16:09 [Autosave] por Melanef
  • 23 March, 2009 @ 16:08 por Melanef
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