Archive for April, 2010
Narcisismo
by Melanef on Apr.26, 2010, under 'Bout Me
Nunca ví o movimento aqui tão intenso. E ficou intenso desse jeito por causa do formspring. Ao que parece, os queridos anônimos que me perguntam lá vêm aqui de vez em quando para ler o que escrevo sem ninguém perguntar.
O formpsring, ah, o formspring! Há pouco mais de um mês aderi ao tal do formspring. Interessante. Pessoas te perguntam. Você responde se quiser. Responde o que quiser. Enfim, uma forma interessante de conhecer pessoas e se conhecer. Admito. Admito que fiquei viciado nisso. Sim, é verdade! A primeira coisa que faço quando chego a algum lugar com acesso à internet é checar se há perguntas pendentes de serem respondidas. Acho que isso porque acabei me encantando com as pessoas anônimas.
Pessoas anônimas que entram na sua vida por uma porta extremamente alternativa. Pessoas anônimas que te despertam uma curiosidade imensa! Pessoas anônimas que podem alegrar o seu dia só por fazer uma pergunta. Porque quando alguém me faz uma pergunta, eu me permito imaginar que tem alguém que se interessa(ou) por mim. Porque afinal, se não se interessasse não perguntava, certo?! Eu penso dessa forma, e é esse o magnetismo que os anônimos exercem sobre mim.
Acontece que os anônimos são pessoas. Sim, claro que são pessoas. E todas as pessoas são capazes de mudar a sua vida se fizerem isso da forma correta.Pois é. Mudaram a minha vida. Há oito dias, a essa hora, estava indo dormir encantado porque uma pessoa entrou na minha vida.
Claro que criam-se um zilhão de expectativas. Como não esperar algo?! O pior é essa idéia de “manter o anonimato”. Mas aos poucos a gente vai descobrindo, e zas. Eu ousaria dizer que o impacto inicial da coisa, quando tudo era novidade e tudo era muito mais idealização do que certeza, que eu era um destes sorridentes que tem por aí.
É, sabe?! Bem, não sei onde você vive, mas aqui temos alguns sorridentes. São pessoas que não tem motivo algum para tal, mas estão sempre com um meio-sorriso estampado na cara. Chega a dar raiva. Não, raiva não. Inveja. É a mesma coisa que a gente sente quando vê um casal feliz da vida trocando carícias. Dá inveja. Uma invejinha boa e ruim ao mesmo tempo. Mas enfim, na segunda feira eu me sentia um desses sorridentes. De forma que quando desembarquei do metrô e caminhava em direção à escada “convencional” da estação Consolação, eu poderia jurar que estava flutuando. Eu flutuava, de tão leve que me sentia, e simplesmente passava através das pessoas que acumulavam-se diante das escadas rolantes tentando obter uma boa posição na “fila”.
Claro que em algum momento há um balde de água fria que nos coloca nos nossos devidos lugares, mas isso não é ruim, de forma alguma, serve para aprendermos a nos controlar.
A grande novidade, é que nesse meio tempo, me apaixonei por uma pessoa nova, descobri coisas novas, conheci um pouco mais de mim mesmo e voltei a me apaixonar pelas pessoas velhas. Com isso não quero dizer que dei uma volta de 360 graus. Não, de forma alguma. Apenas que tive uma oportunidade de ver as coisas com uma nova perspectiva.
Essas semanas têm sido tempos confusos. Tudo muito confuso. Mais do que eu gostaria. Mais do que eu desejaria a qualquer um. Estão sendo tempos de rever pessoas que pensei ter deixado para trás. Tempos de saber de coisas sobre pessoas que pensei ter superado. E não. Não deixei para trás, não superei.
Às vezes, em momentos de lucidez extrema, noto que o meu grande mal é ainda não ter aberto mão de tudo e de todos por alguém de fato. Ou talvez isso seja um trunfo porque talvez a pessoa e a ocasião ainda não apareceram. Mas a verdade é que continuo querendo todo o mundo, enquanto não acho quem me queira aqui e agora. Não alguém que me quer lá na puta-que-pariu nem alguém que me queira daqui a cinco anos. Nem alguém que me queira mas que eu não quero. Sim, sou exigente. Quero alguém que me queira, dentre as pessoas que quero, mas que me queira aqui e agora. Por quê?!
Ah, esse é o xis da questão! Porque eu ainda não desisti de mim mesmo. Eu ainda ME quero! Eu ainda quero com toda a minha disposição e toda a minha força.
Outro dia, vislumbrei os primeiros versos de The Deepest Blues are Black, do Foo Fighters. Eu tenho essa faixa há 5 anos e só agora me deparei com tudo o que ela diz nos primeiros versos: “Shame on you/seducing every one”. Mas olha aí! Está falando de mim! Sou eu. “Que vergonha de você, seduzindo todo o mundo”. Já ouvi isso antes, já escrevi isso antes. Acho que agora entendo. E para mim, os azuis mais escuros são mesmo pretos.
Eu amo a mim mesmo. Estou apaixonado por mim. E por isso, quero me presentear. Mas poucos presentes estão disponíveis ou são bons o suficiente. Por isso sigo buscando ou tentando obter o presente ideal para dar a mim mesmo. Para conquistar a mim mesmo. Para obter a minha própria aprovação, ou chame de aceitação. Eu quero a mim mesmo. Um MIM que foi perdido há algum tempo, não sei bem quando, não sei bem porque, nem me recordo de um dia ter tido este MIM. Mas o quero, mas o amo, mas o cobiço.
Mas o terei. Custe o que custar. Porque só eu vivo a minha vida; só eu convivo com as minhas angústias, alegrias e frustrações; só eu sou vítima das minhas escolhas e só eu tenho o direito. De ser. Feliz.
Boa noite, fiquem em paz. Não me levem a mal. Continuo amando a todos os que amo. Só significa que eu me coloco SIM em primeiro lugar. Porque para mim, eu sou a única pessoa que posso chamar de meu.
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- 26 April, 2010 @ 23:39 [Autosave] por Melanef
- 26 April, 2010 @ 23:38 por Melanef
Sabe como é?!
by Melanef on Apr.16, 2010, under 'Bout Me
É que … é que não adianta. Não tem como explicar. Deitado na cama, ao som de Yann Tiersen porque ele entende das coisas, acabo de satisfazer a minha necessidade serotonina através de uma barra do mais puro chocolate Kopenhagem.
Bem … eu vinha e pensei que precisava postar algo. Preciso. Quero. Anseio. Desejo. Sonho. Estou faminto. Por um post. Para saber. O que houver. Para saber. A respeito de como eu estou. Postar sobre o que mesmo? Sobre angústias. Para variar. Porque não tem tema mais batido e rebatido e debatido e discutido neste blog. Ah, a angústia.
Não sei qual era o papo, mas chegamos ao filme e citei: Amelie Poulain. E a pessoa não desperdiçou, acusando-me de crer ter um futuro como o dela. E afinal, por que não? Será que o estado de felicidade da personagem é tamanho ao final da película que não podemos sonhar com algo assim também?! Ou isso ou “Stranger than Fiction”. O que impede?! Existe alguma lei e ninguém me avisou?
Há alguns meses que estou re-lendo o Senhor dos Anéis. Acho que quase dois ou talvez mais que dois, não estou certo. Havia me esquecido de como Mordor é longe, como o Retorno do Rei é majestoso, como os seres humanos mais diversos são retratados na obra. Meio sem querer. Deus permita a Tolkien descansar em paz sem o fardo de ter julgado os “pobres” humanos.
Digo isso porque acho que finalmente me identifiquei com algum personagem. Primeiro, quando o Rei Theoden morre. Não aguentei. Lia na aula. E as lágrimas rolaram face abaixo. Porque a cena é triste demais. Porque logo atrás vem Éowyn. Porque Éowyn é a donzela de Rohan que sempre serviu como pôde. Até que aparece Aragorn.
Parece besta, eu sei. “Nossa, você se deixou impressionar por essa historinha?” Veja bem. Aragorn entra na vida da personagem destruindo tudo, aniquilando qualquer coisa à qual ela atribuisse valor antes, devastando as entranhas sentimentais daquela mulher. E o que ela faz? Vitima que é dos próprios sentimentos, não lhe resta nada além de apaixonar-se. E depois que a paixão não se concretiza: o que ela faz?! Deseja a morte com todas as forças. Sorte dela que havia Faramir, o Regente, para resgatar-lhe da Sombra.
A Sombra. Ah, a Sombra. Quem não conhece a Sombra? Não vivo perto de Mordor, nem sequer na Terra-Média, mas conheço a Sombra como poucos. A Sombra. Que me invade a alma, me deixa uma chaga, uma ferida, um vazio. Sem explicação. A única explicação é a própria razão de existir. Porque vivemos por causa desta Sombra. A Sombra é a nossa carrasca e nosso alimento. É nossa dor e nosso gozo. É nosso ganha-pão e nosso vício por jogo.
Porque sim. Porque se não fosse a Sombra, que história haveria para contar?
A Sombra nada mais é do que uma paixão que veio, instalou-se, mas não tem pretensão alguma de partir. Na verdade, tem a ousadia de desafiar-nos dia após dia. Desafia-me a levantar. A sair de casa. A entrar na faculdade. E pior: encarar todas aquelas pessoas. Pessoas por quem eu corro o risco de me apaixonar num segundo. E com sorte desapaixone no segundo seguinte. Porque para um coração cansado como o meu, que já não bate nem apanha (e que Deus a tenha em bom lugar, Cássia [Eller]), a melhor coisa que pode acontecer é deixar que as pessoas que entraram, saiam tranquilamente da sua vida sem maiores atritos.
Aí que está. Deixe as pessoas entrarem e saírem. E que fechem a porta ao saírem. E que não levem nada porque o pouco que me resta aqui me é precioso. E que não destruam nada, seus encrenqueiros! E eu, como fico?! Eu sinceramente quero que vocês se fodam.
Ou talvez eu só diga isso porque quero muito é que uma de vocês, qualquer uma, pessoa candidata a mulher da minha vida, que acabou de entrar, não queira sair. Bata o pé, faça birra, declare amor, dê uma oportunidade, um olhar, um sorriso, respire, isso, assim. Pronto.
O mundo enche-se novamente de luz. Pelo menos enquanto durar. Será lindo enquanto durar. Será eterno enquanto durar. A sua luz. Que um dia vai acabar. Não tenha dúvida. Porque acaba. Ou eu me acostumo. Porque quando a luz deixar de ofuscar. Pff.
Acabou a mágica. Saia da minha vida. Devolva minha liberdade. Você não me dá espaço. Você não me respeita. Você não se respeita. Você não tem vida. Você não me deixa viver a sua vida. Você quer viver a minha vida.
E recomecemos o ciclo. Ou não. Porque também pode ser que você me ofusque para sempre. E aí … ah … adeus, Sombra!
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- 16 April, 2010 @ 0:23 por Melanef
